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Vale dos Reis: tumbas reais nas colinas de Luxor

Luxor, Luxor Governorate 1340420, Egitto ★★★★☆ 0 views
Rania Nadal
Luxor
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Descer os degraus que conduzem à tumba de Ramsés VI significa atravessar três mil anos em poucos segundos. As paredes se apertam ao seu redor, cobertas por hieróglifos dourados e cenas cosmológicas que contam a viagem do sol através do reino dos mortos. O ar é seco, quase imóvel, e a iluminação artificial projeta sombras sobre as figuras dos deuses como se tivessem sido pintadas ontem. Este é o momento em que o Vale dos Reis deixa de ser um conceito histórico e se torna algo fisicamente real.

Situado na margem ocidental do Nilo, em frente à atual Luxor, o Vale dos Reis foi o principal local de sepultamento dos faraós do Novo Reino egípcio, um período que vai aproximadamente de 1550 a 1070 a.C. Neste intervalo de tempo, cerca de cinco séculos, foram escavadas na rocha calcária das colinas tebanas mais de sessenta tumbas, muitas das quais destinadas aos soberanos da XVIII, XIX e XX dinastia. Não se trata de pirâmides visíveis do exterior: toda a grandiosidade está escondida sob a terra, protegida pela própria montanha.

A história que mudou a arqueologia moderna

O nome que ressoa mais forte neste lugar é o de Tutancâmon, o jovem faraó da XVIII dinastia que morreu por volta de 1323 a.C. Sua tumba, catalogada como KV62, foi descoberta em 4 de novembro de 1922 pelo egiptólogo britânico Howard Carter, que trabalhava sob o patrocínio de Lord Carnarvon. Era a única tumba real encontrada quase intacta, com o equipamento funerário ainda em seu lugar. A célebre máscara de ouro de Tutancâmon, hoje conservada no Museu Egípcio do Cairo, provém deste local. A própria tumba, relativamente pequena em comparação com outras do vale, é visitável, mas contém agora poucos elementos originais.

Bem mais espetacular do ponto de vista decorativo é a tumba de Seti I (KV17), pai de Ramsés II, descoberta em 1817 pelo explorador italiano Giovanni Battista Belzoni. Com mais de 130 metros de comprimento, é uma das maiores e melhor conservadas de todo o vale. Seus relevos pintados, que ilustram os textos do Amduat e do Livro dos Mortos, são considerados entre as obras-primas da arte egípcia. O acesso a esta tumba requer um ingresso separado e adicional em relação à entrada padrão.

O que ver concretamente no local

O bilhete básico para o Vale dos Reis inclui o acesso a três tumbas à escolha entre aquelas abertas ao público naquele momento, em um total que varia, mas que gira em torno de uma vinte de sepulcros visitáveis. Algumas tumbas de particular relevância — como as de Tutancâmon, Seti I ou Ramsés V e VI — requerem suplementos que podem variar entre 100 e 300 libras egípcias adicionais, dependendo do período e das variações tarifárias locais.

O que impressiona fisicamente é a variedade das decorações: cada tumba reflete o gosto e os recursos do faraó que a encomendou. Na tumba de Ramsés III (KV11), por exemplo, encontram-se cenas de vida cotidiana e músicos pintados nos corredores laterais, um detalhe incomum em relação ao repertório cosmológico dominante. As cores — ocre, azul egípcio, branco calcário — ainda resistem com surpreendente vivacidade, apesar dos milênios.

Como organizar a visita de forma eficaz

O melhor momento para visitar o Vale dos Reis é de manhã cedo, idealmente na abertura por volta das 6:00. As temperaturas à tarde no verão superam os 40 graus Celsius, e as tumbas menores se tornam sufocantes com o acúmulo de visitantes. Levar água é indispensável: dentro do local há pontos de alimentação, mas os preços são elevados. A visita média leva entre duas e três horas, considerando os deslocamentos entre as tumbas e as filas nas entradas.

Para chegar ao Vale dos Reis a partir da margem leste de Luxor, a solução mais confortável é o ferry local que atravessa o Nilo até a margem oeste, seguido de um táxi ou de um serviço de tuk-tuk até a entrada do local. Como alternativa, muitos hotéis organizam passeios guiados que incluem o transporte. É fortemente recomendado evitar visitas em feriados egípcios ou durante os picos do turismo de inverno, quando os grupos organizados dificultam a permanência nas tumbas com a devida calma.

O contexto mais amplo da necrópole tebana

O Vale dos Reis não é um local isolado, mas faz parte de um sistema funerário muito mais vasto que inclui o Vale das Rainhas, onde foi sepultada Nefertari, esposa de Ramsés II, e as tumbas dos nobres de Sheik Abd el-Qurna. O templo funerário de Hatshepsut em Deir el-Bahari, acessível em poucos minutos pela entrada principal do vale, completa um itinerário que abrange séculos de história egípcia em um raio geográfico restrito. Dedicar pelo menos dois dias inteiros à margem ocidental de Luxor é a escolha mais sensata para quem deseja compreender a magnitude desta paisagem funerária sem pressa.

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